"Pontal do Pinheiro" - 20x40 - óleo sobre tela - ano de 2013
"... a cena é pintada de memória e se refere a um trecho da ilha da Boa Viagem em Niterói. Chega-se a esse ponto da ilha, chamado de Pontal do Pinheiro, caminhando sobre as pedras, pela água e atravessando prainhas que ficam na entrada de grutas cobertas por montanhas de cascas de mexilhões. Ao fundo aparece a entrada da baía de Guanabara. A sombra do primeiro plano é proporcionada pelo costão da ilha que se ergue a dezenas de metros acima de nossas cabeças. O local é belíssimo e frequentado por catadores de marisco cuja história eu contei há algum tempo, associada a uma outra pintura referente ao mesmo local..."
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domingo, 6 de maio de 2018
domingo, 18 de fevereiro de 2018
História do Atelier
"...Chove, esfriou, nosso verão vestiu uma fantasia de inverno para sair no carnaval. Bom para ficar em casa: ler, pintar, curtir comidinhas quentes, refletir sobre a vida de beijos doces em bocas amargas ( estou lendo Mia Couto )..."
domingo, 10 de setembro de 2017
1967 - Uma pequena crônica
"...Essa é uma história real: Há 50 anos eu tinha 15 morava com meus pais e 3 irmãos na rua dr. Celestino centro de Niterói que estava perdendo o status de capital do estado para a cidade do Rio de Janeiro que tinha deixado de ser o Distrito Federal e virado Estado da Guanabara. Vivíamos na classe média com pão e pouca manteiga mas éramos felizes e já sabíamos disso há muito tempo tanto que ainda não nos esquecemos dos motivos que justificavam essa tal felicidade. Podíamos falar ao telefone - privilégio de poucos, o número era esse mesmo do desenho: 23954. Naquela época o telefone tinha assumido uma enorme importância para mim devido às namoradas que começavam a aparecer na minha vida que de boa ficou ótima apesar do sofrimento decorrente das paixões nem sempre correspondidas. Mas papai queria ter um carro - sonho de consumo e atestado de promoção à classe média ainda com pão e um pouquinho a mais de manteiga. Mas o preço foi alto e quem pagou a conta foi o 23954 e com isso adeus conta de telefone que a essa altura estava nas alturas devido aos telenamoros intermináveis...Volto ao automóvel - sai telefone e entra o Renault Gordini grafite 40 HP de emoção numa jogada comercial espetacular: trocar um telefone por um auto! Telefone valia muito já o Gordini tinha uma fama meio mixa ele era o leite Glória o que "desmancha sem bater" mas valeu a alegria do meu pai e claro de toda a família motorizada. Lembranças e mais lembranças, felizes lembranças. Aí peguei meu telefone e disquei para o 23954, alguém atendeu, tive medo de continuar, desliguei e olhei para o futuro...A felicidade me acenou de longe e me disse por mensagem ou e-mail não me lembro bem, só gravei o que ela me disse: você me encontrará sempre que realizar um desejo, mas desde que ele pertença ao mundo real e não esteja em desacordo com seus princípios..."
domingo, 6 de agosto de 2017
História do atelier
Pequena crônica culinária: saímos de casa para fazer compras - nada além de passar na quitanda do "seu Liliu", loja de produtos de limpeza e supermercado. A Musa Chef adora frequentar Hortifrutis... Acomodei as bolsas no carro e resolvi usar outro caminho para voltar para casa. Loyde Machado achou estranho, mas, tudo bem, afinal, quase sempre, concordamos com tudo. Peguei a avenida que vai para a praia onde fizeram uma nova ponte sobre o canal da costa, paralelo à praia. Eu disse: quero ver como ficou a obra. Ficou legal, atravessamos a ponte e chegamos na praia, que é lindíssima. A água azul ultramar com tons de turquesa na arrebentação, chocante! Aquela areia branca, a pedra do Elefante... Convidei a Musa para sentarmos no quiosque das conchas, local que íamos sempre comer peixe. Moral da história: comemos sardinha frita e pastel de camarão. Pecadinho delicioso. Agora haja suco verde pra penitenciar...
domingo, 19 de fevereiro de 2017
Tardes em Tanguá - Óleo sobre tela
Tardes em Tanguá - Óleo sobre tela - 20X30 - Quadro em fase de secagem
"...O verde voltou depois de vinte anos. Nos anos 80 a paisagem era meu tema favorito. Depois as marinhas dominaram a minha produção. Agora estou retomando temas como os bares, paisagens e retratos. Tudo acontece de forma espontânea..."
Paisagem - Óleo sobre tela
Paisagem - óleo sobre tela - 19X27 - quadro em fase de secagem
"...A fase verde veio para ficar (não sei por quanto tempo). Vou viver, vou fazer, vou sonhar. Mesmo quando o entorno está caótico, degenerado, podemos ter um interior organizado, com vida saudável, alegria..."
domingo, 14 de fevereiro de 2016
Crônicas Marinhas
"...O dia amanheceu nublado, são 9h. Olho para o lado e vejo a cena: são pessoas simples que acordam cedo em busca da sobrevivência. A natureza os provê, pescam. Não lhes importa muito a alta do dólar e menos ainda o sobe e desce das cotações das bolsas de valores. As Garças e Gaivotas se acercam - serão alimentadas com alguns peixinhos menos comerciais. Todos vivem, estão em paz nesse momento. Há um balé não ensaiado, uma peça épica - gestual barroco e cenário pitoresco. Tudo foi apreendido em foto. Agora vai ganhar liberdade, via Internet... Pode viajar pelo mundo e depois ser esquecida... Bom dia amigos e boa sorte..."
"...Hoje pela manhã postei uma cena de pesca. A foto acima faz parte daquele mesmo momento - a rede que este pescador manipula é a mesma. É interessante notar que o clima é outro. Há um silêncio maior, uma atmosfera mais morna, uma paz mais marcada na introspecção necessária ao lidar com a rede. Não podemos adivinhar as dores alheias, mas quem já pescou sabe que no mar a dor dói menos. Sem contar o prazer de comer um peixinho frito - Papa Terra, Carapicu, Cocoroca, peixes de beira... Boa noite e bons sonhos...."
domingo, 17 de janeiro de 2016
Crônicas escritas em 2016 (1)
Crônicas escritas em 2016 (2)
Visto pela janela do Catamarã : reflexos do interior da embarcação se confundem com a paisagem...Chove lá fora. O arsenal de marinha, ao fundo, me reporta à história da cidade: a Ilha Fiscal, O último baile do Império. Minha avó Albertina Machado me falava desta época. Ela esteve no baile, morava na imponente residência onde hoje funciona o restaurante Jambeiro em Niterói. Eu era novo, menino ainda e numa temporada em que ela residiu com meus pais eu tive o privilégio de ouvir as histórias que tinha para contar. Depois eu lia para ela algum trecho de algum livro que estivesse lendo. Lembro de um desses dias, eu li uns contos de Oscar Wilde, em voz alta, e ao fim estávamos emocionados...Era "A Pomba Apunhalada" do mestre Wilde...Nossa! O pensamento viajou. Boa Noite.
domingo, 27 de setembro de 2015
“Tempestade” – Óleo sobre linho
“Tempestade” – 16x27,5 – Óleo sobre linho – Ano de 2015
“...Concluí esse trabalho na sequência do ‘Estudo de cabeça
de cavalo’. São dois modos diferentes de se fazer a mesma coisa: pintura. No
cavalo postado anteriormente a percepção estava focada em uma forma conhecida –
um modelo fixado ao lado do quadro. Todas as iniciativas de criação foram
limitadas pelo objetivo de reproduzir a realidade. Com relação à ‘Tempestade’ apresentada
nesta postagem a conduta técnica e a proposta artística estão em total oposição
ao trabalho anterior. Neste caso a percepção se volta para o interior – a imaginação
fornece informações para a realização da obra, que por sua vez, durante o
processo, contraria a própria imaginação levando-a a reimaginar e a propor
novas soluções que serão seguidas ou não. Há aí uma interferência decisiva de
uma terceira força na realização da obra, careço de argumentos para explicar esse
processo, simplesmente faço...”
domingo, 12 de abril de 2015
Crônica
Crônica escrita em 2007. Mostro aqui uma parte.
O texto completo estará disponível no livro "Crônicas Ilustradas de Antonio Machado"
O sanhaço do quintal
"Manhã de junho, naquele dia nem tão fria. A grama (um capinzinho fino nativo) está cravejada de brilhantes gotinhas de orvalho, faiscando sob o sol nascente.
Há um arbusto de flores amarelas, já citado noutra página, está florido, flores amarelo essencial contra o qual se destaca, de repente, um pássaro azul, um lindo passarinho cinza azulado camurçado que parece mais azul ainda pelo choque com o amarelo, complemento cromático, contraste de matizes, pula de galho e parte como uma flecha, um foguete, um raio azul.
Hoje vi um sabiá, belo, altivo, laranja, sabiá laranjeira, vestia ocres e castanhos alaranjados é um rei no seu território, esbanja realeza.
―Vi um bem-te-vi, rivaliza com o sabiá em beleza e porte, é o tal! O tal rei do quintal.
Como pode haver dois reis num só local?
Pequenos territórios, reinos fronteiriços, mapa da natureza, divisão territorial dos países passarinhais do continente quintal..."
Antonio Machado
Itaipuaçu 19/6/2007
Arte gráfica: Matheus Stutzel
Copy desk: Loyde Machado
domingo, 18 de janeiro de 2015
Estaleiro - Marinha em óleo espatulado sobre tela
“Barcos” – 46x55 – Óleo sobre tela – Ano de 2015
“... Essa nova fase tem se caracterizado por uma busca da cor e de uma composição construtiva – necessidade de solidez...”
“... Essa nova fase tem se caracterizado por uma busca da cor e de uma composição construtiva – necessidade de solidez...”
domingo, 4 de janeiro de 2015
Pintura com espátula em óleo sobre tela
“Marinha” – 27x35 – Óleo sobre tela – Ano de 2014 – Coleção de Paulo Roberto Cecchetti
“...O atelier está cheirando a tinta fresca. Deixei de produzir por algum tempo. Na verdade mentalmente nunca parei. Eu precisava amadurecer as ideias e concluir outros projetos para ter condições de pintar...”
“...O atelier está cheirando a tinta fresca. Deixei de produzir por algum tempo. Na verdade mentalmente nunca parei. Eu precisava amadurecer as ideias e concluir outros projetos para ter condições de pintar...”
domingo, 17 de agosto de 2014
“Barcos no seco” – Série de estaleiros em óleo sobre tela – Obra em andamento
“Barcos no seco” – óleo sobre tela – 30 x 40– Ano de 2014
“... a produção de quadros foi praticamente interrompida por uns meses. A retomada sempre traz novidades cromáticas, isso é muito saudável pois afasta o risco da redundância na combinação das cores...”
domingo, 4 de maio de 2014
As flores de Denise
“As flores de Denise” – 46x38 – Óleo sobre tela – Ano de 2014
“... Denise veio nos visitar. Trouxe flores para Loyde. Quando nos entregou o buquê ela disse: ‘Machado, agora você tem um tema para pintar.’ A obra está em andamento...”
domingo, 30 de março de 2014
Estaleiro – Óleo sobre tela e arte digital
“Estaleiro” – 40x40 – Óleo sobre tela – Ano de 2014
“... O trabalho foi concluído. Numa postagem anterior, a ‘mancha’ (esboço pintado em óleo) foi fotografada e utilizada como base para uma pintura digital. Nessa versão foram estabelecidas cores e texturas. Ao retomar o trabalho com tinta sobre a ‘mancha’, já se tinha uma proposta desenvolvida virtualmente. Mas essa era uma outra versão e a tinta a óleo tem uma intensidade e textura únicas. O manuseio das massas de cor com espátulas – técnica adotada – exige vigor físico e síntese artística para resolver o quadro. O resultado está sendo apresentado em três versões: a primeira (maior) fotografada sob luz quente, a segunda (menor) fotografada sob luz natural e a última, uma versão sintetizada a partir da segunda, retocada virtualmente no programa Picasa 3.9 ...”
domingo, 23 de fevereiro de 2014
Estaleiro – Óleo sobre tela e arte digital
“Estaleiro” – 40x40 – Óleo sobre tela – Ano de 2014
À esquerda, “mancha” do quadro em óleo sobre tela.
À direita, estudo de cores desenvolvido no Photoshop CS6.
“... a ‘mancha’ (primeira fase da pintura) já secou e está aguardando as outras etapas da realização do quadro. Ao contrário do habitual, resolvi amadurecer o desfecho da obra através de estudos prévios. Isso não é novidade nenhuma. Os antigos mestres procediam dessa forma. Mesmo Van Gogh que conferia aos seus trabalhos uma enorme expressividade – obtida por pinceladas de cor intensa e textura empastada – também estudava minuciosamente o que seria depois realizado com grande vigor e rapidez. O prazer de desenvolver o trabalho desse modo é muito maior e certamente o resultado tenderá a ser melhor...”
domingo, 26 de janeiro de 2014
“Estaleiro” – Óleo sobre tela
“Estaleiro” – 40x40 – Óleo sobre tela – Ano de 2014 - coleção particular
“... O primeiro quadro pintado em 2014 tem as cores do verão, por sinal, muito quente. O céu azul, o mar tranquilo e esverdeado contrastam com as cores quentes das nuvens, da areia, do barro, da terra iluminada por um sol abrasador. Estou retomando as postagens de quadros inéditos. O blog foi remodelado de modo a privilegiar a visualização das obras..."
Pintura: Antonio Machado
Fotografia e arte gráfica: Matheus Stutzel
Copy desk: Loyde S. D. Machado
sábado, 4 de janeiro de 2014
Barcos à noite em óleo sobre tela
"Barcos à noite" - Óleo sobre tela - 24x30 - ano de 2013
"...mais uma vez consegui pintar a partir da superação. A Loyde me perguntou: porque você não vai para o atelier pintar? Respondi de pronto: não estou com vontade, falta inspiração! Ela respondeu: não é você mesmo quem diz que a inspiração prefere aparecer quando estamos trabalhando? Portanto vá pintar! Não discuti, nem poderia, não é? Entrei no atelier, coloquei tinta na paleta, espremi um tubo de vermelho cádmio, outro de laranja diretamente sobre a tela, peguei uma espátula espalhei a cor, espremi outro tubo - agora era preto - e assim sucessivamente e sem saber aonde chegaria. O quadro foi sinalizando, a pintura foi me guiando - isto era a inspiração que chegava e dominava!
O quadro ficou pronto. Chamei a Loyde para ver. Nos entreolhamos, e concordamos: a inspiração veio e agora pode ir. Fomos jantar e ver um filme ou ouvir música, não me lembro bem. Tudo passou, mas o quadro ficou - testemunha do momento de entrega e trabalho. No atelier é assim: trabalha-se com ou sem vontade e no final..."
"...mais uma vez consegui pintar a partir da superação. A Loyde me perguntou: porque você não vai para o atelier pintar? Respondi de pronto: não estou com vontade, falta inspiração! Ela respondeu: não é você mesmo quem diz que a inspiração prefere aparecer quando estamos trabalhando? Portanto vá pintar! Não discuti, nem poderia, não é? Entrei no atelier, coloquei tinta na paleta, espremi um tubo de vermelho cádmio, outro de laranja diretamente sobre a tela, peguei uma espátula espalhei a cor, espremi outro tubo - agora era preto - e assim sucessivamente e sem saber aonde chegaria. O quadro foi sinalizando, a pintura foi me guiando - isto era a inspiração que chegava e dominava!
O quadro ficou pronto. Chamei a Loyde para ver. Nos entreolhamos, e concordamos: a inspiração veio e agora pode ir. Fomos jantar e ver um filme ou ouvir música, não me lembro bem. Tudo passou, mas o quadro ficou - testemunha do momento de entrega e trabalho. No atelier é assim: trabalha-se com ou sem vontade e no final..."
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
"Marinha" - aquarela, nanquim e guache sobre papel canson
"Marinha"
- técnica mista (aquarela, nanquim e guache) sobre papel canson - 29,7x42- ano
de 2013
“...a combinação
de materiais, no caso aquarela, nanquim e guache, favorecem a reprodução fotográfica
em função do acabamento fosco, comum aos três tipos de tinta utilizados na confecção
desta obra.
O retorno ao
tema ‘marinha’ é espontâneo. Estive pensando o porquê desta preferência, além
da óbvia relação com o mar, à beira do qual sempre vivi. É que os estaleiros e
as rochas das praias oferecem uma infinita multiplicidade de formas e
consequentes estruturas geométricas.
Desde o período
pré-renascentista, mestres como os irmãos Van Eyck iniciavam suas composições a
partir de rigorosas estruturas geométricas, sobre as quais distribuíam as massas
de cor e as formas de prédios, árvores, figuras humanas, etc. O domínio da linguagem
visual, forma e cor desses gênios continua insuperada. Um exemplo extraordinário
é o retábulo ‘A Adoração do Cordeiro Místico’, dos irmãos Van Eyck, que tem uma estrutura geométrica inspirada num grande diamante lapidado, além de, praticamente, esgotar as
possibilidades de uso da tinta a óleo recém descoberta...”
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