“Enseada de Jurujuba” – 13x25 – Óleo sobre linho colado em
cartão – Ano de 2012
“... Quando publiquei o Barco Azul IV encerrei o texto – que falava sobre Jurujuba e seus barcos – com a festa de São Pedro, o santo pescador. Enquanto eu escrever sobre pintura haverá a possibilidade de voltar ao tema 'Jurujuba', dado a inesgotabilidade do mesmo! Principalmente porque a mesma coisa pode ser outra coisa se vista por outro ângulo. A beleza impregnada de romantismo, romanceada em pinturas naturalistas é óbvia e é linda. Por trás dessa atmosfera ou no seu cerne se encontra a frieza científica da geometria e a alquimia secreta do emprego das cores. Nada disso é romântico. Se excluirmos os adminículos literários, restarão apenas imagens concretas evocativas de Mondrian e Theo van Doesburg - pioneiros das tendências geometrizantes da primeira metade do século XX. Modernidade? Não! Simplesmente percepção, apenas arte. O quadro acima iniciou com o desejo de pintar uma forma trapezoidal de cor preto avermelhado. A partir daí foram agregados elementos que criaram formas sugestivas de inspiração marinha que reportassem ao bairro dos pescadores- a silhueta da Pedra do Morcêgo, caíques, luzes, clima, romantismo...”