domingo, 22 de abril de 2012

Grafite e aquarela - releitura de Vermeer

"...o interessante na releitura, diferente do que ocorre na cópia, é que 'fica igual' sendo diferente. Ontem pela manhã eu me propus a pintar alguma coisa, pintar com óleo, atendendo a sugestão de Loyde - a musa do atelier - mas na hora não me senti disposto e resolvi estudar:  fazer uns desenhos ou pintar uma aquarela. Foi o que fiz, peguei alguns materiais, um livro, e parti para o 'nada'! Isso mesmo, não havia inspiração! A falta de inspiração não resiste a uma boa sessão de trabalho. Comecei, e logo um jorro de ânimo surgiu. Peguei o livro e deparei com a 'moça do brinco de pérola' na capa. Não precisei nem abrir, estava ali o motivo, a me olhar com aquele encanto misterioso! Peguei uma lapiseira com grafite número sei lá e iniciei um esboço, um retrato inspirado no original, suficientemente parecido para qualquer um saber do que se tratava, porém mais agradável de se realizar - fazer cópias é muito chato, e o pior, inexpressivo! Após o rápido traçado usei um pincel de pelo de Marta e aquarela Van Gogh ( que maravilha de material ) - umas velhas pastilhinhas de tinta que não acabam nunca e que produzem um colorido e uma transparência excelentes. Durante o trabalho, que não demorou muito, eu me detive na apreciação dessa obra prima do mestre holandês - que expressividade, que colorido, que desenho, que modernidade! Vermeer sofreu em vida -  o artista não esteve de acordo com a obra, a parte comercial não foi um sucesso e no final vieram a pobreza e o esquecimento! Mas a história fez justiça - a que tarda mas não falha - duzentos anos depois de sua morte, ele foi redescoberto. Na segunda metade do séc. XIX, com o advento do impressionismo, Vermeer e sua magnífica obra chamaram a atenção de um crítico e de alguns artistas que o identificam com o movimento - de certo modo ele era impressionista! Isso mesmo, e não só Vermeer fôra um antecipador do modernismo, do impressionismo, Rembrandt também o fôra, Velázquez, Franz Hals, Ticiano, todos esses anteciparam em séculos o que viria depois. Aliás não há rupturas abruptas na história, os movimentos revolucionários são a ponta dos Icebergs, antes deles quase tudo estava pronto ou esboçado! Outra conclusão se pode tirar: em arte não existe o novo e o velho, tudo é atual, desde que seja bom, desde que seja arte..."
Original - óleo sobre tela  de Johannes Vermeer - 44,5x39 - ano de 1666 ( a data é imprecisa, 1665/1666, o título atribuído é "Moça com brinco de pérola" ou "Rapariga com brinco de pérola", também é chamada de "A Mona Lisa holandesa")
Releitura em grafite e aquarela sobre papel Montval - 22x16 - ano de 2012 - coleção Siegfrido Vaccaro
- Fotografado com luz quente
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