sábado, 17 de setembro de 2011

Dicas - A cor nos estaleiros de Niterói


Óleo sobre tela - 19x24 - ano de 2011

"...na postagem abaixo, em que mostro um detalhe dessa marinha, eu falei sobre as cores vistas na natureza e as abstrações. O fato é que os pintores modernistas muitas vezes optavam pelo uso das cores como saíam dos tubos de tinta, com toda a sua intensidade. Nos estaleiros vemos uma grama esturricada, uma areia misturada com barro e óleo, madeiras queimadas pelo sol e pela maresia, um céu acinzentado pela poluição, névoa... Acontece que lá, paraíso dos artistas visuais também aparecem os barcos recém pintados com tintas de altíssima qualidade e com cores saturadíssimas que visam resistir às intempéries e sinalizar as embarcações nos dia de nevoeiro.
Assim me habituei a combinar cores puras com cores misturadas, dessaturadas, cinzas coloridos em todos os graus. Lá eu vi o universo cromático pleno, cosmopolita, livre e lindo..."

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Dicas - abstração e cores naturais


Detalhe de uma marinha pintada em óleo sobre tela em fase de secagem.

"...durante muito tempo eu pintei do natural e naturalmente desenvolvi, a partir dos ensinamentos recebidos, uma paleta adequada às cores que se apresentavam diante dos meus olhos. É importante frisar que os locais e horários variavam pouco, o que restringia a variação das cores. Quando o dia amanhece as cores são mais quentes, quando o dia está nublado elas são mais cinzentas, nos dias ensolarados as sombras são azuladas - violetadas, as luzes refletidas são esverdeadas e assim por diante ( o assunto é vasto e seria necessário um livro inteiro para abordá-lo razoavelmente ).
Na mesma época em que eu pintava desse modo - com cores terrosas, ocres, verdes 'cozidos' com laranjas, azuis queimados com terras, pretos obtidos pela fusão de cores complementares - eu 'descobri' a arte 'moderna' e alguns importantes pintores modernistas.
Eu me lembro de uma ocasião que um desses artistas me advertiu sobre o uso de cores 'acadêmicas' como os ocres e terras. Segundo eu entendi, na época, para ele haveriam cores 'modernas', 'contemporâneas', 'concretas', 'abstratas' e ainda 'naifs'. Não levei nada disso muito a sério, afinal, em meus diálogos com as cores elas nunca me falaram nada sobre isso, sobre o comprometimento de alguns 'grupelhos' de cores com determinadas escolas ou grupo de artistas! As cores me asseguraram que eram livres e que poderia usá-las livremente sem pedir autorização a ninguém. Anos mais tarde verifiquei que Picasso, Matisse, Modigliani, Van Gogh, Gauguin e todos os outros mestres da arte usavam a cor livremente. Descobri que as cores haviam conversado com todos eles..."

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