Óleo sobre linho colado em cartão - 26x17 - ano de 2011
“... sábado à noite, adiei a sessão de pintura até às 22h (passei o dia trabalhando em outras coisas). Mas eu tenho um compromisso com a pintura e não dá para declinar. Como o atelier é organizado e todos os apetrechos necessários ao oficio estão sempre à disposição, o que certamente facilita o processo, ficou fácil começar. Estou enrolando no texto tanto quanto estava enrolando para começar a pintar. Vamos ao quadro! Mas, antes de iniciar a quinta musa, resolvi retocar uma marinha que já vinha se arrastando – estava bonita, porém tecnicamente razoável, o que quer dizer péssimo (em arte a liberdade técnica é fundamental, assim como o bom uso da técnica escolhida). Parti para o retoque da marinha, não foi fácil – já estava tudo harmonizado e desse modo o acréscimo de novas cores, luzes e texturas se torna muito difícil. Já é quase meia noite e a musa me aguarda, ou melhor, uma tela em branco me aguarda.
Acrescento à paleta um pouco de carmim e verde esmeralda, misturo as duas cores com um pouco de óleo de linhaça e solvente. Pego um pincel de pelo de Marta com cabo longo e cerdas estreitas, muito maleável, ótimo para desenhar, esboçar. Em meio às manchas começa a surgir a figura, o nu. As camadas de tinta vão se superpondo, cada vez mais claras e espessas...”